Novo poema da tristeza


Novo poema da tristeza



Deixei passar a ronda lenta
De muitas luas,
Mas a minha tristeza não diminuiu…
Longe, longe,
O céu agora é deserto,
Como se houvesse morrido,
Como se houvesse acabado…
Sozinha, no meu luto,
Ergo as mãos,
Cheias de lágrimas,
Em oferenda…
Eleito, ó Eleito
Não me vês,
Não me ouves,
Não me queres!…
E vais deixar-me ficar assim
Toda a vida…
Oh! tem pena, ao menos,
Das aves,
Que podem vir beber
Nas minhas mãos,
E endoidecer depois,
Pelos ares,
Da tristeza que me endoidece…
Eleito, ó Eleito,
Deixei passar a ronda lenta
De muitas luas,
E a minha tristeza não diminuiu!…

Cecília Meireles

postado por /iracosta.space.live.com

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